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15ª Semana Catequética

Forania São Miguel
Santos Dumont – MG / Agosto de 2011
SEMANA CATEQUÉTICA

15 anos

 Família, primeira Igreja, berço da catequese
Pe João Paulo Teixeira Dias

“A Igreja é a nossa casa, está é a nossa casa!” (DAp, 261).

“À medida que a família cristã acolhe o Evangelho e amadurece na fé,

torna-se comunidade evangelizadora.” (João Paulo II)

Como educar na fé, hoje? Um pouco da história...
 

- a família e a catequese devem educar para os valores essenciais da vida;

- educar para a verdade, o amor, a justiça, para a vida sexual etc;

- no AT a Família transmitia e tornava presente a eleição, a aliança e a tradição viva;

- o pai tinha função sacerdotal, profética e educativa da família;

- no NT ela deve ser um itinerário de fé, lugar próprio da catequese;

- Jesus fala de outro tipo de família, que surge da fé (Mt 12, 46-50);

- Paulo identifica a família com a Igreja (Ef 5, 31-32);

- além de ser itinerária de fé, a família é escola para seguir Cristo (FC 39);

- Puebla recorda a família como lugar privilegiado da catequese (DP 640);

- a catequese na família é a educação cristã mais testemunhada do que ensinada;

- ela é mais criadora de hábitos cristãos do que doutrinação e sistematização;

- é escola do mais rico humanismo, das virtudes sociais e cristãs;

- mas pesa sobre ela a idolatria da subjetividade com ênfase na privacidade;

- a catequese deve despertar a família para a vida de comunidade; ... 

- A FAMÍLIA: é o berço da fé, o qual deve favorecer o desabrochar das dimensões da vida cristã.

- A CATEQUESE: desenvolve a fé inicial do batismo até à maturidade, cuja medida é Cristo. 

Chamada a ser o Santuário da Vida e o lugar privilegiado para experimentar o amor, a família hoje vive as ameaças da sociedade influenciada pelo consumismo, relativismo, ateísmo, individualismo, utilitarismo, subjetivismo e hedonismo (culto ao prazer).

O mundo hoje é plural, mas também fragmentado. As ciências e as tecnologias se desenvolveram tanto que acabam passando por cima dos princípios da ética e da religião. E quem acaba sofrendo os impactos da sociedade pós-moderna é a família, por vezes mergulhada num horizonte cheio de dramas. As pressões do mundo globalizado são tantas que às vezes a família fica num beco sem saída. Quais as dificuldades que passam as nossas famílias? O que influencia as famílias hoje?

Olhando para a realidade atual, verificamos diversas realidades. Entre elas, vale mencionar:

• Falta de uma espiritualidade conjugal mais profunda de diálogo e de comunhão.

• Ausência dos pais na educação de seus filhos.

• Meios de comunicação assumindo a rédea da educação dos filhos.

• Influência da “ditadura do relativismo” gerando uma ética da situação.

• O culto ao corpo e a busca do prazer pelo prazer, banalizando a sacralidade do ato conjugal.

Valores familiares como o amor, fidelidade e respeito sendo relativizados.

• Aumento de relacionamentos instáveis. Nas primeiras dificuldades, casais optam por trocar os parceiros.

• Número crescente de divórcios.

• Direito à liberdade colocado acima do direito inviolável à vida, incentivando assim a prática do aborto.

• Instauração de uma mentalidade contraceptiva. 

O que nos fala o DAp:

Apesar dos aspectos positivos que nos alegram na esperança, observamos sombras, entre as quais mencionamos as seguintes: DAp, §  100 

d) Na evangelização, na catequese e, em geral, na pastoral, persistem também linguagens pouco significativas para a cultura atual e em particular, para os jovens. Muitas vezes as linguagens utilizadas parecem não levar em consideração a mutação dos códigos existencialmente relevantes nas sociedades

influenciadas pela pós-modernidade e marcadas por um amplo pluralismo social e cultural. As mudanças culturais dificultam a transmissão da Fé por parte da família e da sociedade. Frente a isso, não se vê uma presença importante da Igreja na geração de cultura, de modo especial no mundo universitário e nos meios de comunicação.

e) O número insuficiente de sacerdotes e sua não eqüitativa distribuição impossibilitam que muitíssimas comunidades possam participar regularmente na celebração da Eucaristia. Recordando que a Eucaristia faz à Igreja, preocupa-nos a situação de milhares destas comunidades privadas da Eucaristia dominical por longos períodos de tempo. A isto se acrescenta a relativa escassez de vocações ao ministério e à vida consagrada. Falta espírito missionário em membros do clero, inclusive em sua formação. Muitos católicos vivem e morrem sem assistência da Igreja, à qual pertencem pelo batismo. Enfrentam-se dificuldades para assumir a sustentação econômica das estruturas pastorais. Falta solidariedade na comunhão de bens no interior das igrejas locais e entre elas. Em muitas das nossas Igrejas locais não se assume suficientemente a pastoral penitenciária, nem a pastoral de menores infratores e em situações de risco. É insuficiente o acompanhamento pastoral para os migrantes e itinerantes. Alguns movimentos eclesiais nem sempre se integram adequadamente na pastoral paroquial e diocesana; por sua vez, algumas estruturas eclesiais não são suficientemente abertas para acolhê-los.

f) Nas últimas décadas vemos com preocupação, por um lado, que numerosas pessoas perdem o sentido transcendental de suas vidas e abandonam as práticas religiosas e, por outro lado, que um número significativo de católicos estão abandonando a Igreja para entrar em outros grupos religiosos. Ainda que este seja um problema real em todos os países latino-americanos e caribenhos, não existe homogeneidade no que se refere a suas dimensões e sua diversidade.

g) Dentro do novo pluralismo religioso em nosso continente, não se tem diferenciado suficientemente os cristãos que pertencem a outras igrejas ou comunidades eclesiais, tanto por sua doutrina como por suas atitudes, dos que fazem parte da grande diversidade de grupos cristãos (inclusive pseudo-cristãos) que se tem instalado entre nós. Isto porque não é adequado englobar a todos em uma só categoria de análise. Muitas vezes não é fácil o diálogo ecumênico com grupos cristãos que atacam a Igreja Católica com insistência.

h) Reconhecemos que, ocasionalmente, alguns católicos tem se afastado do Evangelho, que requer um estilo de vida mais simples, austero e solidário, mais fiel à verdade e à caridade, como também nos tem faltado valentia, persistência e docilidade à graça de prosseguir, fiel à Igreja de sempre, a renovação iniciada pelo Concílio Vaticano II, impulsionada pelas Conferências Gerais anteriores, e para assegurar o rosto latinoamericano e caribenho de nossa Igreja. Reconhecemo-nos como comunidade de pobres pecadores, mendicantes da misericórdia de Deus, congregada, reconciliada, unida e enviada pela força da Ressurreição de seu Filho e a graça de conversão do Espírito Santo.

Uma historinha nos ajuda a refletir... (estória da tv). 

Luzes e esperanças para a família do século XXI 

Nem tudo são só espinhos e sombras. Temos presente em nossa realidade familiar luzes que nos dão muitas esperanças:

- Cresceu a consciência da liberdade pessoal e maior atenção à qualidade das relações interpessoais no matrimônio.

- A promoção da dignidade da mulher.

- Maior atenção na educação dos filhos no exercício da paternidade e maternidade responsável.

- Maior união da família nas relações de ajuda, nos momentos de necessidade.

- Descoberta da importância da família e sua missão na Igreja e na sociedade.

O que o DAp nos diz:

114. Proclamamos com alegria o valor da família na América Latina e no Caribe. O Papa Bento XVI afirma que a família, “patrimônio da humanidade, constitui um dos tesouros mais importantes dos povos latinoamericanos e caribenhos. Ela tem sido e é escola da fé, palestra de valores humanos e cívicos, lar em que a

vida humana nasce e se acolhe generosa e responsavelmente... A família é insubstituível para a serenidade pessoal e para a educação de seus filhos”49.

115. Agradecemos a Cristo que nos revela que “Deus é amor e vive em si mesmo um mistério pessoal de amor”50 e, optando por viver em família em meio a nós, eleva-a à dignidade de ‘Igreja Doméstica’.

116. Bendizemos a Deus por haver criado o ser humano, homem e mulher, ainda que hoje se queira confundir esta verdade: “Criou Deus os seres humanos a sua imagem; a imagem de Deus os criou, homem e mulher os criou” (Gn 1,27). Pertence à natureza humana que o homem e a mulher busquem um no outro sua reciprocidade e complementaridade51.

117.O fato de sermos amados por Deus enche-nos de alegria. O amor humano encontra sua plenitude quando participa do amor divino, do amor de Jesus que se entrega solidariamente por nós em seu amor pleno até o fim (cf. Jo 13,1; 15,9). O amor conjugal é a doação recíproca entre um homem e uma mulher, os esposos: é fiel e exclusivo até a morte e fecundo, aberto á vida e á educação dos filhos, assemelhando-se ao amor fecundo da Santíssima Trindade52. O amor conjugal é assumido no Sacramento do Matrimônio para significar a união de Cristo com sua Igreja. Por isso, na graça de Jesus Cristo ele encontra sua purificação, alimento e plenitude ( Ef 5,23-33).

118. No seio de uma família, a pessoa descobre os motivos e o caminho para pertencer á família de Deus. Dela, recebemos a vida que é a primeira experiência do amor e da fé. O grande tesouro da educação dos filhos na fé consiste na experiência de uma vida familiar que recebe a fé, conserva-a, celebra-a, transmitea e dá testemunha dela. Os pais devem tomar nova consciência de sua alegre e irrenunciável responsabilidade na formação integral de seus filhos.

119. Deus ama nossas famílias, apesar de tantas feridas e divisões. A presença invocada de Cristo através da oração em família nos ajuda a superar os problemas, a curar as feridas e abre caminhos de esperança. Muitos vazios de lar podem ser atenuados através de serviços prestados pela comunidade eclesial, família de famílias.

O que nos fala o Sínodo:

O sínodo indicou que o principal para a Igreja de Juiz de Fora, no momento, é não perder o elã missionário, para evangelizar, ou re-evangelizar a cidade e o campo, os ambientes e as pessoas, com atenção especial aos jovens e à família.

Diante do crescimento de numerosas propostas religiosas nos dias atuais, dos mais variados tipos, algumas mais próximas de nós, outras contraditórias ou até agressivas a Cristo, somos chamados pelo Sínodo a ir atrás dos que não estão ainda integrados na vida comunitária, ir em busca dos desanimados e decepcionados, para que reencontrem o Cristo que anunciamos.

Missão: eis a proposta central do Sínodo. Isto nos leva a pensar também na missão ad gentes, que para nós arquidiocesanos iudi - forenses, tem nome concreto, ou seja, Diocese de Óbidos - PA, onde se encontram dois missionários, sacerdotes nossos, na perspectiva de outros que se apresentem a Cristo para esta missão ao mesmo tempo mais exigente e mais empolgante.

Tanto a família quanto a catequese tem uma missão em comum: educar para o Amor, transmitindo valores humanos e cristãos. Diante das ameaças do mundo capitalista, é preciso não perder a esperança e abrir-se ao diálogo, revendo nossos métodos para educar os filhos no lar.

O Papa Paulo VI, em seu documento Evangelização no mundo contemporâneo (n. 71) oferece uma catequese ao tratar sobre a família como centro de irradiação do Evangelho. Vamos refletir alguns aspectos importantes para a família na educação da fé:

- No conjunto daquilo que é o apostolado evangelizador dos leigos, não se pode deixar de pôr em realce a ação evangelizadora da família. Nos diversos momentos da história da Igreja, ela mereceu bem a bela designação aprovada pelo II Concílio do Vaticano: ‘Igreja doméstica’. Isso quer dizer que, em cada família cristã, deveriam encontrar-se os diversos aspectos da Igreja inteira. Por outras palavras, a família, como a Igreja, tem por dever ser um espaço onde o Evangelho é transmitido e donde o Evangelho irradia.

- No seio de uma família que tem consciência desta missão, todos os membros da mesma família evangelizam e são evangelizados. Os pais, não somente comunicam aos filhos o Evangelho, mas podem receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido. E ‘uma família assim torna-se evangelizadora de muitas outras famílias e do meio ambiente em que ela se insere’.

Estória dos sentimentos....

-  A futura evangelização depende em grande parte da Igreja doméstica. Esta missão

apostólica da família tem as suas raízes no batismo e recebe da graça sacramental do matrimônio uma nova força para transmitir a fé, para santificar e transformar a sociedade atual segundo o desígnio de Deus.

- A família cristã, sobretudo hoje, tem uma especial vocação para ser testemunha da aliança pascal de Cristo, mediante a irradiação constante da alegria do amor e da certeza da esperança, da qual deve tornar-se reflexo: ‘A família cristã proclama em alta voz as virtudes presentes do Reino de Deus e a esperança na vida bem-aventurada.’

- O mistério de evangelização dos pais cristãos é original e insubstituível: assume as conotações típicas da vida familiar, entrelaçada como deveria ser com o amor, com a simplicidade, com o sentido do concreto e com o testemunho do quotidiano.

- A família deve formar os filhos para a vida, de modo que cada um realize plenamente o seu dever segundo a vocação recebida de Deus. De fato, a família que está aberta aos valores do transcendente, que serve os irmãos na alegria, que realiza com generosa fidelidade os seus deveres e tem consciência da sua participação cotidiana no mistério da Cruz gloriosa de Cristo, torna-se o primeiro e o melhor seminário da vocação à vida consagrada ao Reino de Deus.

O Documento da Conferência de Santo Domingo (cf. n. 214) apresenta a identidade e a missão da família através de quatro aspectos:

a) A missão da família é viver, crescer e aperfeiçoar-se como comunidade de pessoas chamadas a testemunhar a unidade por toda a vida (valor unitivo).

b) Ser santuário da vida, serva da vida, conservando o direito à vida como a base de todos os direitos humanos (valor procriativo). Nela deve-se transmitir e educar para os valores autenticamente humanos e cristãos.

c) Ser ‘célula primeira e vital da sociedade’. Por natureza e vocação, a família deve ser promotora do desenvolvimento, protagonista de uma nova cultura que valorize a família.

d) Ser ‘Igreja doméstica’ que acolhe, vive, celebra e anuncia a Palavra de Deus. Lugar privilegiado para a “fazer catequese”, aprofundando e dando razões para a fé, na vivência do discipulado de Jesus.

A Conferência de Santo Domingo propôs como uma das linhas pastorais para a família:

“Fortalecer a vida da Igreja e da sociedade a partir da família: enriquecê-la a partir da catequese familiar, a oração no lar, a Eucaristia, a participação no Sacramento da Reconciliação, o conhecimento da Palavra de Deus, para ser fermento na Igreja e na sociedade.” (Santo Domingo, n. 225).

A Família é o melhor espaço para formar e orientar os filhos rumo a uma vida verdadeiramente humana, cristã e feliz.

Quanto maior for a nossa formação humana e cristã, melhores condições temos para transmitir às nossas crianças e adolescentes o interesse pela descoberta das riquezas da fé. E o gosto de, juntos saborearmos as maravilhas do amor de Deus para conosco, e de Lhe correspondermos com o nosso amor filial.

A família encontra hoje não poucos obstáculos, sobretudo neste “momento histórico em que ela é vítima de muitas forças que buscam destruí-la ou deformá-la” (Santo Domingo, n. 210).

 Deste modo, a catequese precisa conhecer algumas pistas de ação para ajudar a família a encontrar a sua missão:

a) Conhecer as diversas situações e a realidade de cada catequizando.

b) Conscientizar as famílias para participação mais ativa na Igreja, como incentivo e testemunho para os seus filhos que estão caminhando na catequese.

c) Por meio de ações conjuntas com a Pastoral Familiar, oferecer esclarecimentos e possibilidades de regularização às famílias em situações irregulares (especialmente aos amasiados que não têm impedimentos para casar na Igreja).

d) Não discriminar as famílias e crianças e não abandoná-las por motivo algum. Acolher a todos, sem distinção, independentemente de suas opções.

e) Oferecer às famílias em dificuldades apoio e orientação, no diálogo.

f) Aos casais separados, prestar apoio e acolhida, com especial atenção aos seus filhos.

g) Distinguir entre o mal e a pessoa. No dizer do papa Paulo VI: “Jesus foi intransigente para com o mal, porém misericordioso para com as pessoas”.

h) Distinguir com perspicácia as famílias que procuram a Igreja não muito bem intencionada, querendo dar um jeitinho para receber os sacramentos sem a devida preparação.

i) As situações delicadas que aparecem na catequese, levar ao conhecimento do padre para descobrirem juntos as possíveis soluções. Depois de averiguar os casos, dar os encaminhamentos necessários, baseando sempre na verdade e na caridade.

            O que nos fala o Sínodo:

I - Horizonte Missionário

Família e Vida

1. Introdução

A família é a primeira e a mais importante escola da vida. É o lugar onde se faz a primeira experiência de amar e ser amado. Ela é a primeira escola da fé em Jesus Cristo, onde se aprendem as virtudes teologais, além de assimilar os valores humanos e sociais.

Depois de ter criado todas as outras coisas, Deus criou o homem e a mulher e viu que isso era muito bom. A família não é invenção humana. Ela é a criação do próprio Deus, sonhada desde toda a eternidade, desde o início da criação do mundo: “Deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne” (Gn 2,24). “Crescei, sede fecundos, multiplicai, povoai a terra” (Gn 1,22).

A família nasce de uma opção e depende de um projeto, em constante realização. De fato, ela existirá a partir do momento em que um homem e uma mulher, com maturidade para se darem em matrimônio, decidirem viver juntos, criando um jeito novo de habitar o mundo, constituindo uma nova teia de relações, uma nova família, onde nascerão os filhos, que se incorporarão ao projeto de vida idealizado por seus pais. É na família que os filhos desenvolverão sua personalidade. Nela crescerão, encontrarão o sentido de sua existência e amadurecerão na segurança, até que um dia também eles partirão para realizar seu próprio projeto.

Ao definir a família como um núcleo de convivência, como comunidade, como célula mãe da sociedade, quando a analisamos ou defendemos os seus direitos, nos referimos a uma realidade bem definida, que está presente no cotidiano e na existência de muitos e que desempenha um papel concreto na vida das pessoas e da sociedade. No entanto, quando penetramos no interior das diferentes famílias, deixando de lado as teorias e descendo ao palco da própria vida, observamos que ela é uma realidade dinâmica, em constante evolução. Percebemos ainda que cada família é um mundo à parte,com propostas e jeitos próprios que não se repetem. É neste contextoque os planos de Deus tomam forma e são dados ao homem e à mulher em forma de semente, para que sejam levados à plenitude, segundo suas possibilidades e realidades.

Na família, os filhos deverão encontrar o dom da fé, ou seja, o primeiro anúncio sobre Deus e seu plano criador e salvador.

2. Missão da Família

A família cristã tem a missão de gerar os filhos para Deus, dando-lhes uma formação espiritual integral, educando-os, formando-os e transmitindo-lhes ensinamentos baseados nos valores humanos e evangélicos. O ambiente familiar é chamado a ser primeira comunidade onde os pais ensinam desde a tenra idade de seus filhos o reconhecimento da presença de Deus e a experiência da oração: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei ali no meio deles” (Mt 18,20). Ela é chamada a ser uma verdadeira Igreja-doméstica, no dizer do Concílio Vaticano II, cujo cinqüentenário estamos por celebrar.

O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a família cristã constitui uma revelação e uma realização específica da comunhão eclesial; por esse motivo [...], há de ser designada como uma igreja doméstica” (Catecismo, 2204). Uma das missões da família na sociedade é sinalizar para todos a dignidade do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus. A família cristã tem ainda a missão de fazer das paróquias, das dioceses, de cada cidade, do mundo inteiro,  verdadeira comunidade de irmãos e irmãs, testemunhando como a força do amor pode tudo transformar, romper barreiras que separam as pessoas, buscando a vida de perfeita comunhão com Deus.

Na família, cada um é chamado a tornar-se responsável pelos outros. Ela é o primeiro lugar onde somos tratados pela nossa identidade pessoal, pelo que somos, não pelo que fazemos, pelo que temos, ou pela beleza física. É nesta célula da sociedade que também nos é passado o valor da hospitalidade cristã, recebendo a quem nos visita como irmão, levando-nos a reconhecer que há outras famílias e outras pessoas que precisam de nós: os pobres, as crianças, os idosos, os doentes, “A família é a comunidade em que, desde a infância, pode-se aprender os valores morais, começar a honrar a Deus e a fazer bom uso da liberdade. A vida da família é iniciação à vida em sociedade” (Catecismo, 2207).

Importantíssima e insubstituível para a formação da pessoa, a família há de ser valorizada e defendida por todos. Onde falta família, falta muita coisa para a consolidação da personalidade daquele novo indivíduo. Nela aprendemos a nos importar com os semelhantes, a conviver com diferentes personalidades e a estabelecer vínculos e afetos entre as gerações. No seio da família a criança tem chances de fazer a experiência da partilha quando, por exemplo, aprende a dividir roupas e brinquedos com os irmãos; aprende a ser sóbrio, não desperdiçando a comida; têm-se as primeiras lições para o desenvolvimento dos valores humanos e cristãos.

A família continua sendo muito importante para os planos de Deus. Ela é uma instituição divina, sonhada por Deus e fruto da sua benigna vontade. Ela não pode ficar desacreditada. Ela é dom de Deus, por isso merece todo o nosso empenho e todo o nosso amor. Se a catequese não zela pela família, como vai cuidar pastoralmente dos seus catequizandos? E se as famílias não se interessam pela catequese, que futuro poderão dar a seus filhos no caminho da justiça e da fé?

O papa João Paulo II, na encíclica Familiaris Consortio, dirige algumas palavras significativas que servem de horizonte para a missão da catequese: “Amar a família significa saber estimar os seus valores e possibilidades, promovendo-os sempre. Amar a família significa descobrir os perigos e males que a ameaçam, para poder superá-los. Amar a família significa empenhar-se em criar um ambiente favorável ao seu desenvolvimento, e por fim, forma eminente de amor à família cristã, de hoje, muitas vezes tomada por desconfortos e angustiada por crescentes dificuldades, é dar-lhe novamente razões de confiança em si mesma, nas riquezas próprias que lhe advém da natureza e da graça na missão que Deus lhe confiou”.

O que nos fala o Sínodo:

3. A Família de Jesus

Deus enviou o seu único Filho, Jesus Cristo, para nascer no seio de uma família, a Sagrada Família de Nazaré. Jesus deu continuidade ao projeto de Deus Pai, priorizando a família, tanto que a sua existência na terra foi marcada por situações de convívio familiar. A exemplo disto, podemos mencionar o milagre nas Bodas de Caná e as várias visitas que Ele fez às famílias amigas ou desconhecidas. Ele hospedou-se na casa de Pedro e ali curou a sogra dele. Ele visitou Lázaro e suas irmãs, Zaqueu e sua família, Mateus, o publicano. Jesus não teve restrições contra Zaqueu, que era tido como um ladrão. Antes, Jesus quis se hospedar naquela casa; Mateus, Levi, era um cobrador de impostos, tido como alguém que desviava recursos para o próprio bolso. Também lá Jesus fez questão de ir.

Jesus era assim, resgatava as pessoas e reconstruía a unidade daquelas pessoas e, consequentemente, de suas famílias.

A Igreja é a grande família de Jesus. Ela sente-se desafiada a continuar a missão de Jesus Cristo, sobretudo pelo anúncio do Reino que pede o acolhimento das pessoas que vêm ao encontro do Senhor por ocasião das celebrações eucarísticas, das festas religiosas e dos serviços pastorais. É tarefa de todos os membros da comunidade de fé, discípulos-missionários, acolher como Jesus acolhia.

A família, para cumprir a obra de Jesus, é chamada a ser comunidade geradora de vocações, sobretudo as vocações sacerdotais, religiosas e missionárias.

3. A família é o berço da fé.

Há um provérbio chinês que dizia: “Quem embala um berço, está embalando o futuro do mundo”. Quem cultiva a educação cristã de uma criança, desde o seu berço, desde sua infância, está promovendo a formação dos homens e mulheres que irão renovar o mundo.

Havia uma família de cristãos que vivia na Polônia e procurava educar seus dois filhos na fé. Numa situação, a mãe morreu prematuramente e o pai ficou com a responsabilidade de criar e educar na fé os filhos, sobretudo o mais novo, após a morte do filho mais velho. O berço da educação religiosa para o filho foi decisivo, pois mais tarde este menino se tornou papa da Igreja, João Paulo II. Graças às orientações que embalaram o berço da sua fé, ele pode mais tarde embalar o mundo inteiro com palavras de paz.

O que nos fala o DAp:

A família, primeira escola da fé.

302. A família, “patrimônio da humanidade”, constitui um dos tesouros mais valiosos dos povos latinoamericanos. Ela tem sido e é o lugar e escola de comunhão, fonte de valores humanos e cívicos, lar no qual a vida humana nasce e se acolhe generosa e responsavelmente. Para que a família seja “escola de fé” e

possa ajudar os pais a serem os primeiros catequistas de seus filhos, a pastoral familiar deve oferecer espaços de formação, materiais catequéticos, momentos celebrativos, que lhes permitam cumprir sua missão educativa. A família é chamada a introduzir os filhos no caminho da iniciação cristã . A família, pequena Igreja, deve ser, junto com a Paróquia, o primeiro lugar para a iniciação cristã das crianças172. Ela oferece aos filhos um sentido cristão de existência e os acompanha na elaboração de seu projeto de vida,como discípulos missionários.

303. É, além disso, um dever dos pais, através especialmente através de seu exemplo de vida, a educação dos filhos para o amor com dom de si mesmos e a ajuda que eles prestam para descobrir sua vocação de serviço, seja na vida laica como na vida consagrada. Deste modo, opera-se a formação dos filhos como discípulos de Jesus Cristo, nas experiências da vida diária na família cristã. Os filhos têm o direito de poder contar com o pai e a mãe para que cuidem deles e os acompanhem até a plenitude de vida. A “catequese familiar”, implementada de diversas maneiras, tem-se revelado como uma ajuda eficiente à unidade das famílias, oferecendo, além disso, uma possibilidade eficiente de formar os pais de família, os jovens e as crianças, para que sejam testemunhas firmes da fé em suas respectivas comunidades.

Na Albânia, dominada por um consumismo cruel, um lar corajoso conservou a fé e embalou de modo cristão o berço da pequenina Agnes. Sua educação religiosa foi tão bela, que esta menina, agora já adulta, foi para um grande país, a Índia e revelou pelo exemplo e testemunho, a beleza da fé cristã e do seguimento de Jesus, como caminho verdade e vida. Seu trabalho foi respeitado no mundo inteiro e o seu nome ficou gravado como o grande nome da solidariedade cristã, Madre Tereza de Calcutá. Ela catequizou o mundo inteiro para a prática da caridade e para a promoção da paz no mundo.

A família perde em qualidade quando não conta com a valiosa ajuda da catequese na educação da fé de crianças, jovens e adultos. E a catequese não pode realizar um trabalho fecundo se não contar com o apoio e a atenção da família. Hoje, verifica-se na realidade pastoral da Igreja que é praticamente impossível imaginar uma catequese com jovens, adolescentes e crianças sem um trabalho específico com os pais. Para ampliar a presença da catequese nas famílias, é preciso, então, envolver a família através de reuniões, celebrações e confraternizações, visitas às famílias, encontros nas casas dos catequizandos e outras iniciativas que possam colaborar no cultivo de valores e da responsabilidade da família na iniciação cristã de seus filhos.

Como salienta o Catecismo da Igreja Católica (cf. CIC 2221): “É urgentíssimo ajudar a família a a recuperar a beleza original da sua vocação matrimonial, querida por Deus. Pois, o papel dos pais na educação é tão importante que é quase impossível substituí-los. O direito e o dever da educação são primordiais e inalienáveis para os pais”. A fé não começa na catequese, mas na família.

Muitos acham que a catequese é só para os sacramentos. Esta visão é muito reducionista. Também não se pode divorciar a catequese dos sacramentos. A catequese está profundamente ligada à ação litúrgica e sacramental da Igreja. Contudo, a celebração dos sacramentos sem uma preparação séria (Catequese), não tem sentido algum. Sem a catequese os sacramentos se reduzem a um mero ritualismo, o qual não será capaz de nos transformar, dar vida e felicidade e fazer de nós autênticos cristãos.

O que nos fala o Sínodo:

4. Realidade das Famílias e a Ação Missionária da Igreja

Na história, a família passou por diversas configurações (algumas ainda conservam traços do passado na sua identidade) que resultaram no que podemos chamar hoje de “família moderna”. Na família de nossos tempos entrecruzam-se valores e contra valores.

O que vivenciamos hoje é o perigo do relativismo radical da ética humana que desconhece a importância essencial e fundamental da pessoa humana. De modo contraditório, as pessoas querem conduzir suas vidas com total liberdade, sem se importar com os códigos de conduta em sociedade, tão importantes para a prática do respeito pelo outro. Pretende-se apresentar que a sexualidade é apenas questão de escolha e de construção, podendo-se optar e legitimar condutas e comportamentos contrários ao Plano de Deus e, por isso mesmo, ofensivos à lei natural. O ser humano é hoje apresentado como um indivíduo em busca de liberdade. Isto em si é legítimo e positivo. Neste quadro surge a tendência de propor uma liberdade absoluta que permitiria ao ser humano decidir exclusivamente por si mesmo o que é certo ou errado, não levando em consideração outras instâncias de formação ética e moral. Quanto à composição da família, divulga-se, até mesmo, a possibilidade de reinvenção desta com outros arranjos que não aquele da unidade indissolúvel entre homem e mulher.

Em uma sociedade com tantos desafios, cabe à família cristã a recuperação do direito de educar os filhos conforme as suas crenças e valores, não abrindo mão da visão correta do ser humano. Como disse o Papa Bento XVI, “A família encontra-se no meio de uma tempestade”. Então, a ação evangelizadora da Igreja deve ser firmemente direcionada para o cuidado da família, pois “(...) o futuro da humanidade passa através da família” (Familiaris Consortio). Uma sociedade mais solidária e justa depende diretamente de famílias construídas sobre a “rocha” dos valores humanos e cristãos.

Por sua função social, a família tem o direito de ser reconhecida na própria identidade e não ser confundida com outras formas de convivência. Ela não pode omitir-se na promoção da identidade e dos direitos de família segundo os valores do Evangelho e da Igreja: “(...) a salvação da pessoa e da sociedade humana está intimamente ligada à condição feliz da comunidade conjugal e familiar” (Gaudium et spes, n. 47).

A união das famílias forma a comunidade paroquial, gerando comunhão e participação, discípulos e missionários. É importante recordar que “pertence ao Bispo fazer com que sejam sustentados e defendidos os valores do matrimônio na  sociedade civil, através de justas decisões políticas e econômicas.

Depois, no âmbito da comunidade cristã, não deixará de encorajar a preparação dos noivos para o matrimônio, o acompanhamento dos jovens casais e a formação de grupos de famílias que apóiem a pastoral familiar e, não menos importante, sejam capazes de ajudar as famílias em dificuldade” (João Paulo II, Pastores Gregis, 52). Para realizar esta missão, o bispo conta com o auxílio dos presbíteros e dos diáconos permanentes, e especialmente, com os casais das comunidades e dos movimentos familiares.

A Igreja não desconhece a triste realidade das famílias que se separam e dos casais que estão em segunda união. O Papa João Paulo II já manifestava a preocupação da Igreja em relação aos divorciados que contraem novo casamento, quando dizia: “(...) exorto vivamente os pastores e a inteira comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados, promovendo com caridade solícita que eles não se considerem separados da Igreja (...)”, pois é missão dos Sacerdotes cuidar para que esses irmãos tenham a chance de participar do projeto de salvação de Jesus Cristo (cf. Familiaris Consortio, 84).

A ação abortiva torna-se um pecado de extrema gravidade, contradizendo a dignidade natural e a sacralidade da vida, afetando diretamente o 5º mandamento da Lei de Deus que é “não matar”. Por isso a Igreja, com coragem e certeza diz “não” à ação abortiva e a toda tentativa de uma legislação abortista, afirmando que não há nenhum argumento legítimo para o abortamento provocado.

5. Família e Vida

A sociedade atual passa por um momento de muitas incertezas. As pessoas têm até medo de sair de casa. As notícias, a todo o momento, são trágicas, em um grau elevado de sensacionalismo, que leva o indivíduo a duvidar do quanto vale à pena viver e deixar vir à vida um outro ser. É por isso que aqueles que reconhecem e defendem o sentido e a importância da família, podem e devem transmitir o quanto é importante a existência humana. Diz assim o Papa João II: “(...) a tarefa fundamental da família é o serviço à vida.” (Familiaris Consortio, nº 28).

É eminente que apoiemos todos os esforços para proteger o nascituro, pois ele é a garantia da perpetuação da humanidade. Não podemos fechar os olhos ante os apelos materialistas, subjetivistas, onde o que prevalece é a vontade egoísta do humano, com intuito de fazer valer exclusivamente a sua própria vontade. É missão da Igreja lutar para chamar à lucidez todos aqueles que por um motivo ou outro, acham que podem dominar a sua própria vida, esquecendo que para isso, tiram o direito de nascer daquele que não pode defender a si mesmo.

6. Conclusão

A evangelização deve mirar-se sempre no exemplo deixado por Jesus. Dotado de extrema humildade, mas de uma sabedoria infinita, Ele ensinou a fraternidade que se alastrou pelo mundo inteiro ao longo desses dois mil anos. Foi Ele o precursor da ajuda solidária, do não preconceito, do amor incondicional.

A família é a primeira e mais básica comunidade eclesial. Ela é chamada a manter entre seus membros laços de comunhão que se inspiram nas relações trinitárias. O modelo trinitário aponta como o Pai é aquele que ama, o Filho é o amado e o Espírito Santo é o próprio Amor.

Nela deve se desenvolver um ambiente natural de oração e de escuta da Palavra, bem como de consciência comunitária, participando assiduamente de vida paroquial, celebrando o Mistério Eucarístico todos os domingos, gerando  vocações que sirvam à comunidade de fé.

O que nos fala o DAP:

9.1 O matrimônio e a família

432. A família é um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e caribenhos e é patrimônio da humanidade inteira. Em nossos países, uma parte importante da população está afetada por difíceis condições de vida que ameaçam diretamente a instituição familiar. Em nossa condição de discípulos e missionários de Jesus Cristo somos chamados a trabalhar para que esta situação seja transformada e a família assuma seu ser e sua missão240 no âmbito da sociedade e da Igreja241.

433. A família cristã está fundada no sacramento do matrimônio entre um homem e uma mulher, sinal do amor de Deus pela humanidade e da entrega de Cristo por sua esposa, a Igreja. A partir desta aliança se manifestam a paternidade e a maternidade, a filiação e a fraternidade e o compromisso dos dois por uma sociedade melhor.

434. Cremos que “a família é imagem de Deus que, em seu mistério mais íntimo não é uma solidão, mas uma família”242. Na comunhão de amor das três Pessoas divinas, nossas famílias tem sua origem, seu modelo perfeito, sua motivação mais bela e seu último destino.

435. Visto que a família é o valor mais querido por nossos povos, cremos que se deve assumir a preocupação por ela como um dos eixos transversais de toda ação evangelizadora da Igreja. Em toda diocese se requer uma pastoral familiar “intensa e vigorosa”243 para proclamar o evangelho da família, promover a cultura da vida e trabalhar para que os direitos das famílias sejam reconhecidos e respeitados.

436. Esperamos que os legisladores, governantes e profissionais da saúde, conscientes da dignidade da vida humana e do fundamento da família em nossos povos, defendam-na e protejam-na dos crimes abomináveis do aborto e da eutanásia; esta é sua responsabilidade. Por isso, diante de leis e disposições governamentais que são injustas à luz da fé e da razão, deve-se favorecer a objeção de consciência. Devemos nos ater à “coerência eucarística”, isto é, ser conscientes de que não podem receber a sagrada comunhão e ao mesmo tempo agir com atos ou palavras contra os mandamentos, em particular quando se propicia o aborto, a eutanásia e outros graves delitos contra a vida e a família. Esta responsabilidade pesa de maneira particular sobre os legisladores, governantes e os profissionais da saúde244.

437. Para tutelar e apoiar a família, a pastoral familiar pode estimular, entre outras, as seguintes ações:

a) Comprometer de uma maneira integral e orgânica ás outras pastorais, os movimentos e associações matrimoniais e familiares a favor das famílias.

b) Estimular projetos que promovam famílias evangelizadas e evangelizadoras.

c) Renovar a preparação remota e próxima para o sacramento do matrimônio e da vida familiar com itinerários pedagógicos de fé245.

d) Promover, em diálogo com os governos e a sociedade, políticas e leis a favor da vida, do matrimônio e da família246.

e) Estimular e promover a educação integral dos membros da família, especialmente daqueles membros da família que estão em situações difíceis, incluindo a dimensão do amor e da sexualidade247.

f) Estimular centros paroquiais e diocesanos com uma pastoral de atenção integral à família, especialmente aquelas que estão em situações difíceis: mães adolescentes e solteiras, viúvas e viúvos, pessoas da terceira idade, crianças abandonadas, etc.

g) Estabelecer programas de formação, atenção e acompanhamento para a paternidade e a maternidade responsáveis.

h) Estudar as causas das crises familiares para encará-las em todos os seus fatores.

i) Continuar oferecendo formação permanente, doutrinal e pedagógica para os agentes de pastoral familiar.

j) Acompanhar com cuidado, prudência e amor compassivo, seguindo as orientações do Magistério248, os casais que vivem em situação irregular, conscientes que os divorciados e casados novamente não são permitidos comungar249. Requerem-se mediações para que a mensagem de salvação chegue a todos. Éurgente estimular ações eclesiais, com um trabalho interdisciplinar de teologia e ciências humanas, que ilumine a pastoral e a preparação de agentes especializados para o acompanhamento destes irmãos.

k) Diante das petições de nulidade matrimonial, fazer com que os Tribunais eclesiásticos sejam acessíveis e tenham uma correta e rápida atuação250.

l) Ajudar a criar possibilidades para que os meninos e meninas órfãos e abandonados consigam, pela caridade cristã, condições de acolhida e adoção e possam viver em família.

m) Organizar casas de acolhida e um acompanhamento específico para socorrer com compaixão e solidariedade ás meninas e adolescentes grávidas, ás mães “solteiras”, os lares incompletos.

n) Ter presente que a Palavra de Deus, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, solicita-nos uma

atenção especial em relação às viúvas. Procurar uma maneira para que elas recebam uma pastoral que as ajude a enfrentar esta situação, muitas vezes de desamparo e de solidão. 

4. Mística para a relação Catequese-Família

A catequese é uma das facetas da ação evangelizadora da Igreja e a família é um nível de Igreja (“Igreja Doméstica”). Paulo VI já direcionava a ação pastoral a ter um olhar para a família: “no conjunto daquilo que é o apostolado evangelizador dos leigos, não se pode deixar de por em realce a ação evangelizadora da família. Nos diversos momentos da história da Igreja, ela mereceu bem a expressão sancionada pelo Vaticano II: ‘Igreja Doméstica’. Isto quer dizer que, em cada família cristã, deveriam encontrar-se os diversos aspectos da Igreja inteira” (EN 71).

A fecundidade da catequese depende em parte da família. Como salienta João Paulo II, na Familiaris Consortio: “a própria vida da família torna-se itinerário de fé e, em certo modo, iniciação cristã e escola para seguir Cristo” (FC 39).

O Documento de Puebla menciona a família como um lugar privilegiado de catequese (cf. 640). O Diretório Geral de Catequese diz: “a família como lugar de catequese tem uma prerrogativa única: transmite o Evangelho, radicando-o no contexto de profundos valores humanos” (DGC 255).

Para cultivar a mística da catequese a serviço da família é preciso:

• Que a família esteja no coração da catequese e que a catequese esteja no coração da família.

• Acreditar que a salvação do mundo passa pela família (João Paulo II). É a família que salvará a família. Parafraseando o antigo princípio: “Fora da família não há salvação”.

• Como bons samaritanos, curar as muitas chagas que o mundo moderno causou no seio da família, tais como: infidelidades, separações, aborto, perda da fé, etc.

• Devolver à família a missão de ser berço da vida e da fé.

• Recordar aos pais que a catequese começa em casa e que eles são os primeiros e permanentes catequistas de seus filhos.

• Que a família se sinta uma Igreja Doméstica, onde se cultivam a leitura da Bíblia e a meditação por meio dos Círculos Bíblicos, o terço e outras devoções.

• Que os catequistas continuem a missão apostólica, visitando os lares e levando a alegria da mensagem de fé.

• Que os pais estejam acompanhando o processo de educação e amadurecimento da fé de seus filhos.

• Cultivar a oração da família em família: “família que reza unida, permanece unida”.

• Participar da Eucaristia aos domingos, para celebrar com a família eclesial o mistério pascal do Senhor.

• Valorizar as datas festivas: Semana da Família, Natal, Páscoa, Dia das mães e dos pais.

• Incentivar as famílias cristãs para a formação de pequenos grupos e comunidades. Pois não existe catequese sem comunidade. Esta é a fonte, lugar e meta de toda a catequese. (cf. DGC 158).

Dinâmica: caixas pastas de dente......

5. Catequese e Encontro com os Pais

O encontro com os pais é uma rica oportunidade para interagir família e catequese. Os encontros precisam ser melhor aproveitados. Muitos pais não gostam de participar das “reuniões” porque dizem que é só bronca. Outros lugares só fazem reunião para informar às famílias preços de camiseta, lembrancinha, vela, etc.

Os encontros com os pais na Catequese precisam ser oportunidade para catequizar a família, incentivando para a missão de oferecer condições para o desenvolvimento da fé dos catequizandos.

A catequese instrui os catequizandos na fé e prepara para a vida na comunidade, mas isso não tira o mérito e a responsabilidade dos pais de educarem seus filhos. Os pais são os primeiros catequistas na família e o seu testemunho que vai motivar os seus filhos a experimentarem o amor de Deus e a buscarem o caminho da fé. Para que os pais tenham consciência da sua missão, é importante que a catequese dê a

devida atenção aos encontros com as famílias e oferecendo outros espaços para que pais e filhos estejam dentro do itinerário catequético. Assim como os encontros com catequizandos, os encontros com os pais precisam ser planejados, a fim de despertar a motivação dos pais e apontar caminhos novos para a educação da fé na família. Os pais têm necessidade de ouvir dos catequistas coisas tão simples, mas muito importantes, tais como: o que é catequese? Qual a sua finalidade? Qual a missão do catequista? Muitos pais passaram pela catequese, mas ficaram esclarecidos sobre as responsabilidades na educação da fé de seus filhos.

Aqui propomos algumas idéias para o encontro com os pais na catequese:

A catequese (Etimologicamente, significa “fazer ecoar”).

• Catequese: um importante ministério da Igreja que nasce da Palavra.

• “Processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da fé” (CR 318).

• “A missão catequética não se improvisa e nem fica ao sabor do imediatismo ou do gosto de uma pessoa” (DNC 319).

• “A Catequese é uma urgência no vosso país. Fazei da catequese uma prioridade” (João Paulo II).

• “A finalidade definitiva da catequese é fazer com que alguém se ponha, não apenas em contato, mas em comunhão, em intimidade com Jesus Cristo” (CT 5).

• A catequese tem por fim “tornar a fé viva, consciente e operosa, por meio de uma instrução adequada” (CD 14).

O catequista: um educador da fé.

• Aquele que assume um ministério em nome da comunidade.

• Um colaborador da Igreja mãe e mestra.

• Torna visível o Cristo Mestre.

• É porta-voz da comunidade.

É instrutor na fé.

Igreja:

• Catequese é ação da Igreja e projeto assumido pela comunidade.

• A catequese é obra de toda a Igreja e sua missão consiste em oferecer os fundamentos da fé e promover o amadurecimento integral na vida de cada um.

• A catequese é o coração da Igreja. É como o sangue nas veias. Ela é fundamental para a vida da comunidade cristã.

• O lugar da catequese é a comunidade.

• Há na sociedade uma mentalidade: “catequese é coisa de criança”.

Família:

• A catequese acompanha a nossa vida em todos os seus estágios.

• Os pais são os primeiros catequistas.

• Importância da família na catequese:

a) Família – Santuário da Vida.

b) Família – Berço da Fé.

c) Família – Igreja Doméstica.

d) Família – Célula da Sociedade.

• É importante para a família:

1) O testemunho dos pais (participação na comunidade de fé).

2) A vida de oração na família.

3) Compreender as fases e o processo de desenvolvimento da fé.

4) O diálogo e transparência.

5) A liberdade e responsabilidade.

6) Exercitar a paciência.

7) Buscar parcerias (Igreja – comunidade – sociedade). 

 “Família humana, comunidade de paz”. 

(No Dia Mundial da Paz - 1 de janeiro de 2008, o papa Bento XVI escolheu o tema da família para proferir uma mensagem ao mundo inteiro. Vejamos alguns trechos...).

1. “(...) a primeira forma de comunhão entre pessoas é a que o amor suscita entre um homem e uma mulher decididos a unir-se estavelmente para construírem juntos uma nova família” (n. 1).

2. “A família (...) constitui o lugar primário da ‘humanização’ da pessoa e da sociedade, o ‘berço da vida e do amor’” (n. 2).

3. “A família é fundamento da sociedade inclusivamente porque permite fazer decisivas experiências de paz. Devido a isso, a comunidade humana não pode prescindir do serviço que a família realiza. Onde poderá o ser humano em formação aprender melhor a apreciar o ‘sabor’ genuíno da paz do que no ‘ninho’ primordial que a natureza lhe prepara?” (n.3).

4. “Na inflação das linguagens, a sociedade não pode perder a referência àquela

‘gramática’que cada criança aprende dos gestos e olhares da mãe e do pai, antes mesmo das suas palavras” (n. 3).

5. “A própria comunidade social, para viver em paz, é chamada a inspirar-se nos valores por que se rege a comunidade familiar” (n. 6).

6. “Condição essencial para a paz nas famílias é que estas assentem sobre o alicerce firme de valores espirituais e éticos compartilhados” (n. 7).

7. “Uma família vive em paz, se todos os seus componentes se sujeitam a uma norma comum: é esta que impede o individualismo egoísta e que mantém unidos os indivíduos” (n. 11). 

Os Dez mandamentos da família para a Catequese:

1. Não fecheis o coração! Não vos bastais a vós próprios na educação da fé, mesmo que sejais os primeiros catequistas dos vossos filhos. Os catequistas são vossos colaboradores na educação da fé, mas não substitutos.

2. Amai a Catequese! A Catequese não é um "ensino" avulso e desorganizado. É processo de educação da fé, feita de modo ordenado e sistemático. É itinerário para amadurecer na vida cristã e caminho para o discipulado. Velai pela assiduidade dos vossos filhos e pelo seu acompanhamento, num estreito diálogo com os catequistas e com a comunidade de fé.

3. Não exijais dos vossos filhos o que não sois capazes de fazer. Não exijais dos vossos filhos, o que não sois capazes de dar. Exigir do outro o que não se tem pra oferecer é negar a si mesmo enquanto sujeito de fé.

4. Não queira transformar a catequese em curso para que vossos filhos "saibam muitas coisas"! Mas alegrai-vos sempre, ao verificardes que eles saboreiam a alegria de serem cristãos, e vão descobrindo, com outros cristãos, a pessoa de Jesus, o Amigo por excelência, que convida a seguir os seus passos no anúncio/testemunho da sua Palavra.

5. Demonstrem amor e cuidado pela família! A primeira forma de catequese acontece sem palavras e sermões, no respeito à dignidade de cada membro da família. O amor exige cuidado, como diz o poeta: “Quem ama cuida”.

6. Vivei a comunhão na família e na Igreja! Não sois uma ilha nem uma ostra. Sem diálogo não há espaço para a fé se desenvolver. Sem a sociedade não podereis progredir e sem a Igreja não podereis iluminar o mundo.

7. Sede discípulos e não expectadores! Não espereis que a Catequese faça de vós e vossos filhos bons alunos ou expectadores. Ao contrário, procurai que ela vos ajude a formar discípulos de Jesus, que O seguem, em comunidade.

8. Saiba testemunhar a fé na participação da comunidade e no sacramento da Eucaristia. Procurai pensar e viver de acordo com os valores do Evangelho. Sabeis bem que o testemunho é a primeira forma de evangelização. Deste modo, os filhos aceitarão melhor a proposta dos vossos ideais e valores.

9. Procurem aprofundar a fé e ter um gosto pelo conhecimentos das coisas de Deus! Como diz o célebre ditado bíblico: “Um cego não pode guiar outro cego”. Quem não é esclarecido na fé não pode orientar os outros a viver o compromisso cristão. Nem tem o direito de manipular a fé segundo a sua ignorância. Também não cedais à tentação de achar que se pode "mandar" os filhos à Catequese, para vos verdes livres deles ou para fugirdes das vossas responsabilidades.

10. Orai e celebrai a vida em família! Rezar e celebrar com toda a família, de modo a que a vossa fé seja vivida em comum na pequena Igreja que é a família, se exprima na grande família que é a Igreja e transforme a diversificada família humana que integra a sociedade.